Sérgio Nogueira

Dúvida do leitor: “Na minha juventude nunca ouvi alguém falar que “foi pêgo”. Agora, a TV (Rio e São Paulo passam o tempo falando essa asneira. Até o jornal que se acha o melhor do país, que é a F. São Paulo, caiu nessa). Sob a minha óptica, respaldado no Caldas Aulete e no Delta Larouse, pêgo é uma ave. Para mim, o Aurélio é um dicionário popular da língua portuguesa. É bom tê-lo para tirar dúvidas, mas com visão crítica.”

Meu caro leitor, eu também aprendi na minha juventude que o particípio do verbo pegar era somente pegado: “Ele tinha pegado os documentos”, “Ele foi pegado em flagrante”.

O problema é que as línguas são vivas, elas evoluem, elas se transformam. E isso não é um fenômeno exclusivo da língua portuguesa. O difícil é estabelecer um critério para aceitar ou não as novidades linguísticas.

Entretanto é fato que a forma pego (“pêgo” em algumas regiões e “pégo” em outras) está consagradíssima. Hoje há registros em várias obras da nossa literatura e nos estudos de muitos especialistas.

Sugiro que você, meu caro leitor, não sofra tanto, senão terá que procurar algum cardiologista. Que fique bem claro: se usarmos a forma pegado, estamos falando corretamente. Quanto à forma pego, é perfeitamente aceitável na fala coloquial e discutível em textos que exijam o chamado padrão culto da nossa língua. Inaceitável é exigir que o candidato ao vestibular, por exemplo, saiba se o gramático Fulano de Tal considera  a forma pego “certa” ou “errada”.