Ricardo Lewandowski, o ministro do Supremo Tribunal Federal responsável pela revisão do processo do mensalão, se diz um homem imune a cobranças. “Não aceito nenhuma pressão em relação a qualquer processo que esteja em tramitação no meu gabinete”, disse recentemente. E quem duvidaria? Em 2007, quando o STF decidia se aceitava a denúncia da Procuradoria-Geral da República contra os 40 acusados do mensalão, Lewandowski comentou durante um jantar que a “tendência do Supremo era refrescar para o (ex-ministro José) Dirceu”, mas que “todo mundo votou com a faca no pescoço”. Os comentários de Lewandowski vieram a público, e os ministros aceitaram a denúncia. Nos últimos meses, seguramente sem nenhuma faca no pescoço, Lewandowski se esmerou na preparação de seu voto como revisor do processo. Tanto – foram seis meses de labuta – que, há duas semanas, o presidente da corte, ministro Carlos Ayres Britto, num gesto inédito no Supremo, agiu como bedel: cobrou de Lewandowski, por ofício, que liberasse o processo, de maneira que o STF pudesse começar o julgamento no início de agosto, conforme combinado entre os ministros. Um dia após o prometido, Lewandowski liberou o processo. Improvável que por efeito do piparote de Ayres Britto. Lewandowski não se verga a pressões.(Época)
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