Eliana Kertész deixa legado por meio do estilo único que marcará Salvador

Foto: Arquivo pessoal

Como mãe, exemplo; como esposa, leal; como vereadora, imbatível; como artista, inesquecível. No último domingo (26), despediram-se de Eliana Kertész não só familiares e amigos, mas todos os baianos. Afinal, ao fazer história em 1982 com a maior votação proporcional dos vereadores no país inteiro — marca inigualada até hoje —,  Eliana começou a entrar na vida não só dos seus 94 mil eleitores, mas de uma Salvador que depois a acolheria como secretária municipal de Educação e Cultura, como coordenadora de Turismo do Estado e, sobretudo, sendo casa para as suas Meninas do Brasil, sem as quais a cidade não seria a mesma.

Damiana, Mariana e Catarina, as Gordinhas de Ondina, agora moram na Praça Eliana Kertész e são a herança deixada a Salvador — justamente na semana do aniversário da cidade — pela mãe, esposa, vereadora e artista que tinha a generosidade como marca.

Administração, política e arte
Maria Eliana Pires Mascarenhas Kertész nasceu em Conceição da Feira e já aos seis anos mudou-se para Salvador, onde formou-se em administração pela Ufba. Lá, conheceu Mário Kertész, com quem viria a se casar em 1971 e ter os filhos Maria Eduarda, Marcelo, Mariana e Francisco. Especializada em ciências políticas e planejamento econômico, ela filiou-se ao PMDB, em 1981, antes de entrar na política. Já fora da vida pública, em 1991, descobriu as artes. Autodidata, desenvolveu suas técnicas e deu à luz as primeiras 33 gordinhas. O sucesso das esculturas — que começaram em barro e posteriormente evoluíram por pó de mármore, resina, bronze e fibra de vidro —, foi imediato e gerou outros inúmeros convites.

A partir daí, a mulher que fez história na política baiana passou a deixar sua marca também nas artes plásticas, expondo em cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Macau, Lisboa, Florença, Roma e Paris, entre outras. Em 2014, as mulheres sensuais e “redondas como o mundo” estrelaram a mostra Mulheres do Brasil, no Palácio da Alvorada, que revelaram à então presidente Dilma Rousseff a genialidade de Eliana e sua capacidade de revelar as nuances da cultura tropical. (Metro 1)